segunda-feira, 13 de maio de 2013

Isaías: um profeta contextualizado


 Isaías, cujo nome significa “O Senhor deu salvação”, era filho de Amoz (1.1), o que o distinguia dos demais “Isaías” de seu tempo. A teoria de que Isaías era primo de Uzias, tem sido considerada pelos estudiosos modernos como sendo mera conjectura.
Sabemos que ele era casado e teve pelo menos dois filhos (7.3; 8.3, 18). Seu ministério começou, provavelmente nos anos finais do reinado de Uzias,(740 a.C) passando pelos reinados de Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés (696 – 642 a.C). 
O ministério de Isaías, portanto, estendeu-se por um período de pelo menos quarenta anos, (740 – 701 a.C) e talvez mais, já que Ezequias não morreu antes de 687 a.C e é duvidoso que o co-regente Manassés ousasse martirizar Isaías com Ezequias ainda vivo. (McKENNA 1999, p. 300)
Isaías era um profeta urbano, vivia em Jerusalém (7.3; 22.15; 28.14; 37.2), e podemos inferir que possuía a nobreza por descendência, o que lhe dava certa influência na casa real. Referências como 7.3ss na qual ele enfrenta o rei Acaz e a grande influência que o profeta teve no reinado de Ezequias (36 – 39) são em geral argumento usados para sustentar essa teoria de que Isaías tinha proximidade com a casa real. Além disso, 2 Crônicas 26.22, diz que Isaías era o responsável pela redação dos atos do rei Uzias, o que o coloca como sendo o escriba responsável pela “crônica oficial daquele rei.(McKENNA 1999, p. 302).
Isaías era um homem do seu tempo e por seu grande conhecimento, era também um homem que enxergava além do seu tempo. O profeta sempre esteve atento aos movimentos de sua sociedade, sabia interpretar os acontecimentos sócio-políticos e se pronunciava a respeito deles. Sua profecia era contextualizada e ao mesmo tempo traz o traço da predição. A proximidade de Isaías com a casa real, certamente contribuiu para que ele adquirisse essa cosmovisão. “A percepção de como o Deus soberano emprega as nações para levar as bênçãos e os julgamentos decorrentes da aliança foi uma das contribuições profundas de Isaías para Israel compreender seu lugar no programa de Deus na história. (McKENNA 1999, p.302)
A sua “pregação foi governada pelo tema de que só o Senhor é que salva, enquanto todos os esforços humanos se demonstram ser vãos” (RIDDERBOS, 1986, p.10). Isaías trata da salvação como resultado da graça de Deus, “Isaías expõe a doutrina de Cristo com tantos detalhes que, com razão, tem sido chamado de ‘o profeta evangélico’. Acham-se introspecções cristológicas mais profundas em sua obra do que em qualquer outra parte do Antigo Testamento.” (ARCHER 1986, p. 259)
Isaías é reconhecidamente o maior entre os profetas. Segundo Ridderbos (1986, p.10) ele “exibe uma dignidade real mediante intrepidez de sua ação pública, a majestade de sua presença, a força nobre e a beleza poética de suas palavras.
De  acordo com a tradição judaica, Isaías sofreu martírio no governo de Manassés. Segundo essa tradição o profeta Isaías teria sido morto cortado ao meio.  Associar  Hebreus 11.37 com a possível morte de Isaías, serrado ao meio, exige um grande esforço hermenêutico, uma vez que a o único fator de sustentação dessa interpretação seja a citação de uma tradição, que nem sempre é digna de confiança.

domingo, 28 de abril de 2013

O MINISTÉRIO DE JESUS VISA SUPLANTAR A VINGANÇA E ÓDIO (Extraído de Plantando Igrejas Saudáveis)



A mensagem inaugural do ministério público de Jesus, numa sinagoga na Galiléia, era uma mensagem de libertação, do anúncio do “ano aceitável do Senhor”. O messias anunciado pelos profetas e esperado por Israel era um libertador. “as pessoas criam que o messias restabeleceria a dinastia de  Davi e libertaria o povo de toda opressão estrangeira,” (TROCMÉ,2004.p.13).
A quebra de expectativa gerada por Jesus se deu quando ele para seu discurso sem enunciar a frase seguinte que anunciaria ao dia da vingança.
Quando Jesus leu Is 61 na sinagoga a congregação provavelmente esperava que ele anunciasse vingança contra os inimigos, especialmente contra os romanos – uma vingança que seria um passo preliminar rumo à época de libertação (...)Eles estavam esperando ardentemente um sermão com impulso revolucionário e talvez as palavras iniciais de Jesus “hoje se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir” v.21 atiçou ainda mais essa expectativa. (BOSCH,2002.p,143).
Ford chama a nossa atenção para o fato de que a missão de Jesus, do ponto de vista de Lucas tem um aspecto que vem sendo negligenciado ao longo do tempo, que é o aspecto da pacificação, da retribuição não violenta ao mal, da futilidade e natureza autodestrutiva da vingança e do ódio.
Ao longo do evangelho Lucas detalha como essa atitude pacificadora de Jesus foi vivenciada. Lucas deixa claro que a missão de Jesus é de compaixão para com os pobres, marginalizados, até mesmo para o inimigo. “Ele é o ungido de Deus que anunciará um ano de favor tanto para os judeus quanto para os seus oponentes” (BOSCH, 2002.p,144).
A mensagem do messias suplanta a vingança e em episódios como a atitude de Jesus para com os samaritanos, em que Tiago e João pedem para descer fogo do céu, diante da recusa em dar hospedagem a Jesus é uma evidência de que Jesus não quer adotar sentimentos vingativos. Outro episódio relatado por Lucas que destaca essa atitude pacificadora de Jesus é encontrado no capítulo 13.1-5. Os ouvintes de Jesus esperam que ele exprima sua reprovação aos romanos, mas ao invés disso Jesus usa essa situação para chamá-los ao arrependimento no lugar do sentimento de vingança.  A própria atitude de Jesus diante de seus algozes ressalta o seu compromisso com a não violência. Seu comportamento nos eventos que ocorreram durante sua crucificação e morte ressalta a completa ausência do sentimento de vingança.
Sua oração, juntamente com a palavra de perdão dirigida aos criminosos da cruz (ambos relatados somente por Lucas), mostram que, mesmo ao sofrer a morte de um escravo e criminoso, Jesus voltou-se em amor e perdão para os marginalizados e inimigos, vivenciando assim, uma ética que era completamente contrária à ideologia militante tanto dos opressores quanto dos oprimidos. (FORD apud BOSCH 2002.p, 145-146).
Lucas está convencido de que o evangelho de Jesus é pacificador, que estimula o amor aos inimigos e o perdão. No reino de Cristo não há espaço para a vingança e o ódio.


quinta-feira, 11 de abril de 2013

AS CARACTERÍSTICAS DA MISSÃO DE JESUS (trecho extraído do livro "Plantação de Igrejas saudáveis: da teoria à prática." - Lançamento em breve


Para compreendermos essas convicções missionárias de Jesus, iremos abordar o texto de Mateus 9.35-38 como um referencial daquilo que Jesus nos deixou como modelo a seguir.

1. A MISSÃO DE JESUS É INCLUSIVA.
Pelo modelo de Jesus aprendemos que a missão é inclusiva. O Divino Mestre percorria todos os povoados, vilas e cidades. No contexto de Mateus, as cidades e povoados percorridos por Jesus são na Galiléia. Este fato é profundamente significativo, pois Galiléia era marginalizada pelos judeus do sul (Judéia), devido à miscigenação que ocorrera com o povo galileu. A Galiléia era chamada de “Galiléia dos gentios” e de lá era corrente dizer não havia nenhum profeta. Para uma ala do judaísmo Jonas não era considerado profeta, pela natureza do seu ministério. Era uma forma de ofensa discriminatória chamar alguém de Galileu.
Ao embrenhar por estes lugares, Jesus está dando um modelo de ação para a igreja. Esse modelo exige que tenhamos em mente um evangelho inclusivo, o que nos leva a entender um evangelho que chega de forma compreensível e acessível a qualquer nível da sociedade. A igreja não tem o direito de eleger aqueles que devem receber o evangelho. Não podemos fechar os olhos, fingir que não vemos aqueles que a sociedade insiste em fazer de conta que não existe.
O evangelho não é para uma elite ou para um grupo especial, mas deve ser anunciado em todos os lugares. O homem, não importando sua condição social, moral ou intelectual, é alvo do evangelho. Portanto, onde existe humanidade ali está um campo missionário. Temos então de ir onde o ser humano está.

2. A MISSÃO DE JESUS É PERCEPTIVA.
O modelo missionário aplicado por Jesus é também perceptivo. Sempre encontramos relatos da capacidade de Jesus para conhecer e compreender a realidade das pessoas. No texto de Mateus 9 o evangelista fala que Jesus viu a multidão e se compadeceu dela. Esta idéia de compaixão é muito forte e denota a capacidade de compreender a extensão da dor e do sofrimento de alguém. Compaixão tem a ver com algo que sentimos no mais profundo do nosso íntimo.
É muito importante essa habilidade de “ver” para o desenvolvimento de um ministério efetivo. O “ver” revela como devemos agir. O “ver” gera atitude. No caso de Jesus ele viu e se compadeceu. A insensibilidade é resultado de vermos e não sentirmos compaixão. Se não somos sensíveis, nossas atitudes serão de desprezo, rejeição, inação e repelência.
Como igreja nós somos ensinados nesse modelo de Jesus: envolvermos movidos pela percepção da realidade humana. O que Jesus viu naquela multidão foi descrito por Mateus em três estágios:
Primeiro eram os aflitos. Note que a palavra sugere alguém muito machucado e que, devido aos ferimentos, está agonizando de dor. O que Jesus vê é uma multidão que agoniza diante de tanto sofrimento e pecado. Os traumas causados pela queda estão ardendo e a dor é tão grande que essas pessoas expressam em seus semblantes a dor. Estão com a alma doída.
Segundo, eram os exaustos. As pessoas que Jesus vê estão machucadas e a beira da morte. O melhor exemplo de exaustão que encontramos na Bíblia, talvez seja o do homem que foi assaltado e deixado semimorto na margem do caminho, na parábola do bom samaritano.
Terceiro, eles eram como ovelhas que não tem pastor. Essa é uma expressão de cunho político (Nm 27.15-17; I Rs 22.17). Deus levantou líderes para guiar Israel, para que as ovelhas do seu rebanho não ficassem sem pastor. Jesus está denunciando o descaso das autoridades, que abandonaram o povo à própria sorte.
A percepção de Jesus é ampla, ou seja, não é restrita a algumas áreas da vida do homem. Como igreja do Senhor Jesus nós precisamos aprender a perceber a realidade do homem e da sociedade que nos cerca. Sem essa percepção não teremos condições de amar e ajudar  essas pessoas porque nos faltará o princípio básico que é o de compreender a verdadeira realidade do ser humano.

3. A MISSÃO DE JESUS É ENVOLVENTE.
No texto de Mateus 9, após perceber a realidade do homem, Jesus convida seus discípulos para que vejam a mesma realidade. O convite é para que se veja a seara. A seara é toda a realidade do homem. O convite de Jesus é para que vejamos o homem em sua miséria e desconforto, situações produzidas pelo pecado que o escraviza.
A fórmula como Jesus determina para que possamos nos inteirar desta realidade é orar. Ninguém pode orar por uma causa a não ser que esteja envolvido com ela. E ninguém pode estar envolvido com uma causa sem orar por ela.  Aqueles que oram são os mesmos que são enviados. Comumente oramos para que Deus levante e envie pessoas, mas nem sempre estamos conscientes de que para orar é preciso estar envolvido. Quem ora já está comprometido.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A Necessidade de se desenvolver uma visão adequada de Deus



Se concebo Deus de forma errada, creio de forma errada; se entendo Deus de forma errada, adoro de forma errada.
No que se trata de conhecer Deus, temos  que ajustar o nosso foco. Quando temos dificuldade em ver Deus como Ele realmente se revela a nós criamos imagens ou sombras que tiram o realce da beleza de Deus. Este desajuste de foco ocasiona uma  espiritualidade desfocada, oramos de forma desfocada, adoramos de forma incoerente.
A grande questão  é como ajustar o foco de nossa visão em relação a Deus e desenvolvermos uma visão adequada de Deus. Três princípios podem ser usados para isto:

I-Detectar os nossos conceitos errados sobre Deus. O primeiro passo é reconhecer que podemos estar vendo Deus de forma distorcida, e precisamos vê-lo sem o uso de nossos “preconceitos”. Quando analisamos a vida de Jacó, percebemos que desde o ventre materno, ele teve de conviver com disputas e desenvolveu em sua personalidade uma esperteza tamanha. Jacó desenvolveu um senso de que só vence na vida quem for esperto.
A visão de Jacó sobre Deus se desenvolve neste contexto, e por várias ocasiões ele tenta fazer negócios com Deus, na base de sua esperteza. No Vale do Jaboque, pelo toque de Deus ele percebe que sua visão sobre Deus precisava ser mudada.
Precisamos de encontros como este de Jacó para sermos tocados por Deus e possamos vê-lo como Ele é.

II- Ter experiência de vida com Deus.

O segundo princípio é viver experiências, onde sejamos confrontados com nossos reais sentimentos e crenças. Este é o caso de Jó, que no final do seu Livro conclui conhecer Deus apenas de ouvir falar, apesar de a Bíblia o apresentar como um homem exemplar. A vida de Jó corroba este princípio de que precisamos de experiências duras  afim de nos livrarmos de crenças erradas.

III- Desenvolver amizade com Deus.

Aqui o nosso exemplo é Abraão, o pai da fé. A Bíblia nos relata que Abraão tornou-se amigo de Deus. A convivência com alguém é a melhor maneira de mudar, ou aprofundar nossa compreensão a respeito de desta pessoa. Abraão tornou-se amigo de Deus porque desenvolveu um senso de confiança em Deus. A confiança se adquire por meio de uma visão adequada. jamais podemos confiar em alguém, se não tivermos uma boa imagem a respeito desta pessoa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A importância do Gabinete Pastoral e os cuidados que se deve tomar




1-   Gabinete Pastoral um lugar de devoção

De acordo com a teologia bíblica, identificamos algumas características ou fundamentos que são  fundamentais para o exercício do ministério pastoral.

Fundamentalmente algumas características são imprescindíveis para o exercício do ministério pastoral. Diria que existem características que são voltadas para Deus, outras voltadas para o rebanho e há ainda aquelas que são voltadas para a vida pessoal do pastor.

Dentre as voltadas para Deus, penso que deveríamos destacar a devoção ou espiritualidade. O ministério pastoral tem em si uma nuance perigosa, que é o fato de se poder realizar o ministério, é obvio que sem profundidade bíblica, sem  a devida devoção a Deus, ou seja, não precisamos estar bem com Deus, para pregarmos de maneira eloqüente, compreendermos de maneira clara os problemas dos outros e darmos bons conselhos. Infelizmente isto pode ser feito de maneira natural, basta ter uma queda para a oratória e a retórica e ler alguns livros de auto-ajuda.

Quando falamos em devoção, pensamos em vida de oração, de meditação nas Escrituras, de temor a Deus. Enfrentamos grande luta diária para nos livrarmos da tentação do “fazer”. Precisamos antes do “fazer” desenvolver o ser. Deve-se ser tarefa prioritária na vida pastoral devotar tempo útil a Deus, por meio da oração e meditação, sem isto não se desenvolve temor a Deus, que o princípio de toda sabedoria. O tempo que se investe na devoção, será economizado na ação do dia-a-dia.

Dentre as características voltadas para o rebanho é preciso ressaltar a afetividade. Pedro fala aos crentes que os presbíteros devem exercer o pastoreio do rebanho como Cristo, não por constrangimento, nem por ganância, nem por força. Estas três atitudes negativas enfatizadas por Pedro denotam a falta de afetividade. Quando se pensa em afetividade temos que levar em consideração que esta palavra implica em uma demonstração prática e inequívoca do amor cristão.

Ser afetivo para com o rebanho implica em desenvolver amizade, simpatia e consideração para com as pessoas. Encontramos na pessoa de Jesus um exemplo claro de afetividade. Em contrapartida, no modelo de sociedade que vivemos, somos empurrados para o ativismo e para a impessoalidade. Tratamos as pessoas como números. No processo da massificação perdemos a pessoalidade.

O cuidado de si mesmo envolve a questão do tempo. A administração do tempo é fundamental para aquele que trabalha com uma margem muito grande de imprevistos.

2-   Gabinete Pastoral um lugar de estudo

Toda política missionária da igreja deve estar voltada para estabelecer a Palavra de Deus como fundamento de vida daqueles que são alcançados pelo poder do evangelho.  A missão de Jesus consistia em trazer Israel de volta à obediência das Escrituras.

Não há como ser povo de Deus e não obedecer aos princípios de Deus. O retorno às Escrituras é o retorno à obediência.

Para que isso se torne realidade, o tempo de estudo e a qualidade do estudo que praticamos é fundamental.  Não podemos nos contentar com a superficialidade nos sermões e estudos que ofertamos para a igreja, porque isso vai contra o nosso chamado e enfraquece o rebanho. É uma lógica simples: o tempo que você investe no preparo de um bom sermão/estudo, será economizado na assistência aos membros que estarão fortes e saudáveis.

É imprescindível ter um plano de estudo para não se perder, por isso é importante um planejamento de pregações (pregações em série). Também é fundamental a priorização do tempo de estudo.

3-   Gabinete Pastoral um lugar de planejamento
O primeiro passo para quem deseja ir a algum lugar é definir onde ir. Ninguém pode sair do lugar a não ser que tenha respondido a perguntas chaves.

Embora o pastor não seja responsável pela execução de todas as tarefas, é de sua responsabilidade dar a direção, ou seja, o papel do planejamento é do pastor.

 Modelo simplificado de uma folha de planejamento
O QUE?
QUEM?
QUANDO?
POR QUÊ?
COMO?
QUANTO?
OBJETIVOS
RESPONSÁVEL
INÍCIO
FIM
RAZÕES
PROCEDIMENTOS
RECURSOS  








4-   Gabinete Pastoral um lugar de influência

Quais os principais requisitos que o pastor (a) deve possuir ao tomar para si a responsabilidade de influenciar vidas e tomadas de decisões de outras pessoas? Quais os limites de um aconselhamento pastoral?

Alguns elementos devem compor o caráter de um pastor que assume a responsabilidade de influenciar as pessoas, chegando às vezes ao nível de ajudá-las a tomar decisões. Dentre esses elementos quero destacar:
a-    Sensatez: sensatez é uma habilidade que nos permite ver perigos e vantagens em uma determinada situação. Nem tudo que é bom pode ser sensato naquele momento. Não existe pior orientação do que aquela advinda de uma pessoa insensata, desequilibrada e desajustada emocionalmente.

b-   Sensibilidade: sensibilidade é a capacidade de percepção do que realmente está acontecendo. Isso é imprescindível para aquele que se propõe a orientar, influenciar a vida de outro. Compreender o máximo possível o que está acontecendo, as variantes e as próprias limitações para ajudar. Um conselheiro que não seja sensível cairá no ridículo de imaginar que a situação do aconselhando não seja tão ruim ou que não é uma realidade favorável. Sensibilidade é a capacidade de ver os fatos e interpretá-la como de fato é.

c-    Sabedoria: a sabedoria não se expressa pelo nível de conhecimento, mas pela maneira como expressamos o que sabemos.  A sabedoria é indispensável no processo do aconselhamento uma vez que não sabemos tudo sobre todos os fatos.

O uso destes elementos promove um aconselhamento saudável e ajuda ao conselheiro reconhecer seus limites. Esses limites são acerca do envolvimento, até que ponto posso me envolver com esse problema, pois o conselheiro não pode se tornar parte do problema, é preciso que se mantenha certa independência.







segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O Chamado Missionário (Parte II)


II- O chamado no Novo Testamento.

O Novo Testamento corroba aquilo que o velho define sobre o chamado, ou seja Deus continua  chamando as pessoas  que Ele quer chamar para a realização de seus propósitos salvíficos.

O Novo Testamento talvez amplie alguns princípios já elaborados no Velho Testamento. O chamado de Jesus aos seus discípulos é no sentido de “fazer uma chamada imperiosa a um indivíduo, ou a um grupo existente e mais ou menos definido como os discípulos``.[1] Isto nos ajuda a compreender a idéia do chamado específico. O chamado não é entendido por Jesus como um fim em si mesmo, mas como o meio de realizar os propósitos de Deus entre os homens.

Um outro aspecto interessante e que precisa ser analisado é que o chamado está sempre vinculado à Igreja. O Novo Testamento não abre possibilidade para o auto-chamamento. A igreja é que  concede o aval do chamado, em At 13:1-3 ocorre exatamente isto. O Espírito Santo separa a Barnabé e a Saulo e a igreja avaliza este chamado, impondo as mãos, abençoando e enviando estes irmãos.

         C) O chamado na visão de Paulo.

Eleição e vocação são dois aspectos inseparáveis na visão de Paulo. Ele entende a vocação “ como sendo o processo através do qual  Deus chama aqueles que já elegeu e nomeou, para saírem da escravidão deste mundo afim de que Ele os justifique e os santifique, trazendo-os ao serviço d´Ele``[2] (Rm 8:29-30).

A vocação sempre vem de Deus e Ele tem sempre um propósito quando vocaciona alguém. É assim que Paulo descreve o seu chamado para ser  apóstolo. Quando ele se declara ‘chamado para ser apóstolo` está ressaltando o fato de que deve a sua posição de apóstolo a uma vocação especial da parte de Deus.

II - O CHAMADO MISSIONÁRIO EM NOSSOS DIAS.

Existe muita dúvida sobre aquilo que chamamos de vocação missionária. Nem sempre aparece um anjo trajando roupas verde-limão , nem sempre acontece aquilo que a Bíblia preconiza como modelo.

Na tentativa de  esclarecer um pouco este assunto o Pr. Oswaldo Prado em seu livro Do Chamado ao Campo nos apresenta alguns modelos.*

A) O modelo de Pedro ( Mt 4:18-19 )

Aquele mais clássico de todos, em que a pessoa sente um impulso de deixar tudo o que está fazendo e se envolve com a obra missionária, geralmente de tempo integral.

Este modelo é o mais comum na história da igreja e talvez por  isso é o mais aceitável pela maioria dos líderes evangélicos. Com certeza grande parte dos missionários de hoje trazem consigo este perfil.

B) O modelo de Paulo.

O modelo do chamado de Paulo é bem diferente  daquele que foi usado para definir grupo apostólico.

Diferente dos Pedros  os Paulos resistem muito para  seguir a Jesus, mas quando o fazem, se tornam exemplos de dedicação e testemunho no serviço missionário.

C) O modelo Profissional

O mundo está se fechando para o trabalho missionário. Existem três grandes blocos religiosos no mundo, o islamismo, o hinduísmo e o budismo, e nestes blocos as portas para a entrada  de missionários no estilo de Pedro, estão quase que totalmente fechadas.

Precisamos incentivar os vocacionados para missões a buscar uma formação universitária, pelo menos técnica, antes de serem enviados ao campo. Isto seria de uma relevância tremenda para o desenvolvimento de uma estratégia missionária, especialmente junto aos países mais resistentes.

A igreja que deseja envolver seus membros em missões precisa estar atenta para este modelo. Chegamos ao momento em que não basta  uma boa formação teológica.

A igreja missionária deve estar aberta para nos próximos anos enviar alguns de seus melhores profissionais para pregarem o evangelho em lugares estratégicos do mundo.

D) O modelo do não chamado.

Esta é uma forma não usual de chamado, mas que permanece em nossos dias. São aqueles que  reconhecem sua vocação missionária sem, no entanto terem necessariamente passado por uma experiência  clara de chamado.

Um exemplo deste modelo de chamado é o do Dr.Dick Hills fundador da Overseas Crusades International (Sepal no Brasil) e 18 anos como missionário na china, ele diz: “Eu nunca fui chamado para a china ... Deus me deu  o dom de ensino``. Sua visão de ministério estava firmada na seguinte convicção:” seu chamado é aquilo que você tem que ser, e que é determinado por seu dom. seu chamado nunca muda: sua direção pode mudar. Se você está preocupado quanto ao seu chamado, é tempo de se preocupar com o seu dom``.

Sempre é bom lembrar que Deus trabalha de maneira incomum e precisamos estar abertos para as surpresas que Ele nos proporciona.


[1] BROWN,Collin, O Novo dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Edições Vida Nova, 1981
[2] Idem

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

O Espírito Santo visto na perspectiva de Atos


PNEUMATOLOGIA EM ATOS
Atos dos Apóstolos, bem que poderia ser chamado de Atos do Espírito, e assim o foi chamado  por um período na história da igreja. O que temos neste relato se confunde entre uma narrativa da história da igreja e uma demonstração da ação do Espírito de Cristo na continuação da divulgação da mensagem do reino iniciada por Cristo. O que veremos a seguir é uma análise simplificada da ação do Espírito Santo, abordando apenas dois aspectos.
        1-   A FUNÇÃO DO ESPÍRITO SANTO EM ATOS (1.1-2)
Nestes versos iniciais Lucas apresenta a sua intenção em escrever este segundo livro. Dois pontos se destacam nesta introdução de Lucas:
a-      O que Jesus começou em carne humana, agora continua em sua nova humanidade, através do Espírito Santo por meio da igreja;
b-      O ministério de Jesus pós-ressurreto deve ser entendido como um ministério levado a efeito “por intermédio do Espírito Santo”.
a.       Jesus é o sujeito da obra do Espírito Santo na história;
b.      Lucas vincula a obra de Jesus com o ministério do Espírito Santo. O que Jesus fez, ou continua a fazer era  e é “por intermédio do Espírito Santo”. Não podemos separar a obra de Jesus Cristo, como se fosse possível entender que o Espírito Santo tivesse uma obra independente, exclusivamente sua.
c.       A obra do Espírito Santo é a extensão do ministério iniciado por Jesus, e agora continuado por ele, e os atos dos apóstolos são o fruto e a expressão desse ministério.

          2-   O ESPÍRITO SANTO COMO DINAMIZADOR/CAPACITADOR DA IGREJA (1.8)
O uso da preposição grega (epi – sobre) aponta para o doador soberano e gracioso e desvia a atenção dos recebedores: O Espírito Santo vem “sobre”. O Espírito Santo “vem de cima”, ou seja, o Espírito Santo é uma dádiva divina. O Espírito não vem de dentro, mas sim do alto (Lc 24.49), isto é, o Espírito Santo não surge  dentro, da vida emocional ou espiritual do  recebedor, não depende do estado anterior da pessoa, nem é sujeito a ele. O Espírito Santo vem de cima, da parte de Deus sobre as pessoas.
Quando o Espírito Santo descer sobre o seu povo, haverá poder. Mas segundo o texto, não poder para si só, ou para nós, mas sim, para uma tarefa mais alta – “sereis minhas testemunhas”. A palavra “minha” é enfática. É significante que o objeto do testemunho espiritual não deva ser o seu dom, poder, batismo. Jesus é o objeto, sendo assim vejamos duas implicações:
a-      OS APÓSTOLOS SÃO TESTEMUNHAS DE CRISTO – Eles pertencem a Cristo e são possessão dEle.
O poder do Espírito Santo é primaria e principalmente um poder que nos liga a Cristo. Isto é claramente demonstrado com o verbo utilizado para descrever a ação do poder do Espírito Santo. “sereis” é um verbo de ligação. O resultado do poder do Espírito Santo não é aquilo que os homens fazem, mas sim, o que chega a ser. O poder do Espírito é sua capacidade de ligar o homem ao Cristo ressurreto de tal maneira que seja capacitado a representá-lo.
Somente quando o Espírito Santo desce sobre os apóstolos é que eles foram ligados ao Senhor ressurreto, e somente então tiveram a autoridade e capacidade para testemunhar.
b-      A UNIVERSALIDADE E A INCONDICIONALIDADE DO EVANGELHO
Os samaritanos (racial e religiosamente suspeitos), os gentios (espiritualmente impuros) são os alvos do  evangelho. A igreja aprende a natureza do evangelho – como sendo uma promessa universal recebida à parte da obediência a lei ou condições especiais de santidade, isto é, que a salvação é recebida pela fé. Isto passa a ser a natureza e a missão da igreja.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A Primazia da Pregação


(Extraído do livro: Homilética - a primazia da pregação. De minha autoria)

Porque precisamos da pregação?

Existe necessidade da pregação? Há espaço em nossas igrejas para a pregação? Os modelos de igrejas, de cultos valorizam a pregação? Haverá lugar na igreja moderna e no mundo moderno, para a pregação, ou ela tornou-se obsoleta, irrelevante?
Precisamos fazer estes questionamentos se queremos realmente estudar homilética. Não haverá necessidade de estudarmos essa matéria se as respostas às questões anteriores forem negativas. Nossa grande preocupação está no fato de que nossas respostas podem ser afirmativas, mas na verdade, a nossa prática diária não reflete o valor que damos para a pregação.
Ninguém em juízo perfeito, que leva a Escritura a sério, poderia negar a primazia da pregação. (Romanos 1.11-12,15). Paulo escreveu cartas inspiradas que regem as ações da igreja, mas jamais interpretou que seus escritos pudessem substituir o confronto pessoal.
No Novo Testamento vemos que a pregação é meio pelo qual Deus opera (1 Pedro 1.23-25). Paulo afirma aos tessalonicenses que foi através da pregação que ocorreu toda a transformação da sociedade deles (1 Tessalonicenses 1.9-10; 2.13). Segundo Robinson ( 1983, p.14) a pregação “na idéia de Paulo não consistia de um homem que discutia religião. Pelo contrário, o próprio Deus falava através da personalidade e mensagem de um pregador para confrontar homens e mulheres e trazê-los para Ele”. 
A obra da pregação é a mais elevada, a maior e a mais gloriosa vocação para a qual alguém pode ser convocado (LLOYD-JONES 1984, p.7). O chamado que Deus nos concedeu de pregarmos a palavra viva é um dom inestimável, pois o valor desse dom para a igreja é incalculável. Podemos afirmar sem hesitação que, a mais urgente necessidade da Igreja Cristã da atualidade é a pregação autêntica. (LLOYD-JONES, 1984, p.7).
Conta-se a história de um pregador, cuja esposa mantinha em casa uma caixa fechada, e ela não contava a ninguém qual  o conteúdo daquela caixa. O marido insistia, insistia para que ela contasse o que havia dentro daquela caixa, mas ela nunca cedia. Certo dia a esposa saiu para uma reunião de mulheres da igreja e o homem curioso que só, não agüentou de curiosidade e abriu a caixa. E o que tinha dentro? Três ovos e mil reais. A sua curiosidade só aumentou porque não entendeu o que significava aqueles três ovos e o dinheiro. Quando a esposa chegou, o marido inquieto lhe disse que havia aberto a caixa, não suportara a curiosidade, mas que agora estava mais curioso ainda porque não podia entender qual era o significado daquelas coisas dentro da caixa. A esposa então lhe disse que nos últimos quinze anos de ministério toda vez que ele pregou mal ela havia colocado um ovo na caixa. O marido sorridente e aliviado suspirou, afinal de contas em quinze anos, apenas três ovos, mas antes que a admiração lhe tomasse conta ele se lembrou do dinheiro e perguntou o que significava o dinheiro, ao que ela respondeu: sempre que intera uma dúzia eu vendo.
Nossa tarefa como pregadores é absolutamente nobre e como tal deve ser exercida com nobreza. As escrituras afirmam que em não havendo profecia o povo perece. A causa de tanta fragilidade e despreparo dos crentes, assim como o surgimento de tantas doutrinas falsas que proliferam dentro de nossas igrejas, seja a ausência de uma pregação autentica.
Nossos cultos têm sido transformados em shows. Os pregadores precisam se adequar a essa nova mentalidade de culto e se transformarem em homens de palco. Essa mudança vem ocorrendo desde o século passado e tem deixado grande prejuízo para o evangelho. Certamente a causa dos principais problemas da igreja de hoje é a falta da pregação bíblica. A perspectiva bíblica acerca do homem é clara. O homem está caído, e por natureza ele está morto em seus delitos e pecados. Quando Paulo anuncia esta perspectiva em Efésios 2. 1-5 ele tem em mente que o homem está morto em seu relacionamento com Deus e impossibilitado de se relacionar com Deus, a não ser pela ação da graça de Deus na vida deste homem. Uma das razões pela qual o homem está impossibilitado de retomar seu caminho com Deus é que ele está cego. Em 2 Coríntios 4.3-4 nos é dito que o príncipe deste mundo cegou o entendimento dos homens, por isso estão com seu entendimento obscurecido. Podemos compreender que a perspectiva bíblica do homem é que este se encontra em um estado de ignorância.
Paulo classifica a salvação em como “chegar ao conhecimento da verdade”. O ensinamento bíblico  atinente a salvação é o fato de conduzir os homens a esse “conhecimento” que lhes falta, de dissipar a ignorância. (LLOYD-JONES 1984, p.20). Daí a primazia da pregação. Lloyd-Jones sintetiza isso da seguinte maneira:
“Se a mais profunda necessidade do homem, se a sua necessidade final é algo que procede dessa sua ignorância, a qual, por sua vez, é resultado de sua rebeldia contra Deus, então, nesse caso, o que ele necessita antes e acima de tudo é ser informado a esse respeito, ser informado sobre a verdade acerca de si mesmo, ser informado do único meio através do qual a situação pode ser modificada. Por conseguinte, assevero que é tarefa peculiar da igreja, bem como do pregador, tornar tudo isso conhecido”. (LLOYD-JONES 1984, p.21)


Precisamos da pregação para dar ao homem o conhecimento que ele precisa para sair a ignorância com relação a salvação. Muito do que se vê do descomprometimento dos homens para com Deus se deve ao fato de não conhecerem os desígnios de Deus.

Quando nos propomos a estudar a homilética, acima de tudo queremos nos conscientizar de que a tarefa a nós confiada é de suma importância, é fundamental para o desenvolvimento do evangelho e para que Cristo encontre um povo seu zeloso e fiel quando voltar em sua glória.

A diferença entre a teoria e a prática missionária da igreja


A prática missionária nem sempre é reflexo de nossa crença. Existe uma relativa diferença entre a teoria e a prática missionária, e esta diferença se evidencia em três áreas bem definidas:
a-      Conceitos equivocados
Dois conceitos errados em especial tem sido muito prejudicial.

O Primeiro, é que missões têm sido entendida como uma tarefa especial, para pessoas extraordinárias. Nada poderia estar mais distante do propósito de Deus. A Bíblia ensina que o método de Deus é usar o tolo, o fraco, e as pessoas menosprezadas do mundo para trazer glória para Si (1 Cor. 1:26-31). O propósito de Deus é realizado por pessoas simples que acreditam  e servem a um Deus extraordinário.  

Paulo foi considerado durante muito tempo como o missionário ideal, exatamente pela falta de compreensão de muitos, de que a expansão do evangelho no primeiro século foi realizada principalmente por pessoas como Barnabé, Silas, Marcos, Priscila e Áquila, Epafrodito, e uma grande quantidade  de outros cristãos anônimos. Deus pretende usar a todos-- a Marcos e o Epafrodito, como também a Paulo-- para realizar a missão Dele.  

Se nós formos levar a cabo a missão de Deus durante nossa vida, nós temos que apagar de nossas mentes a idéia que só  as pessoas extraordinariamente talentosas são as missionárias. Tal pensamento desencoraja a pessoa de se identificar com missões a não ser que ele pense que ele tenha uma doação extraordinária e chamada. Este tipo de pensamento coloca uma aureola em cima da cabeça do missionário, quando isso acontece é impossível para ele medir até o ideal.

A segunda concepção errada nutrida por essa mentalidade pequena é que missões podem ser realizadas por meio de procuração. Alguns pensam que os missionários são os seus substitutos na evangelização mundial. Eles se sentem satisfeitos em orar por missionários, por apoiá-los e os encorajá-los. Todas estas coisas deveriam ser feitas, mas fazê-las não alivia cada cristão da responsabilidade de  ser envolvido diretamente na missão de Deus.

Missões através de procuração tem sido o procedimento operacional normal em muitas igrejas. Alguns deixam missões a cargo do ministério de Mulheres  e esperam que as mulheres se responsabilizem pelo envolvimento da igreja em missões. Em outros tempos era esperado que uma Junta de Missões Nacional ou uma Junta de Missões Estrangeira assumisse a responsabilidade completa por cumprir o mandato que Deus deu a todos seus discípulos. Alguns cristãos entendem que dando parte de seus salários como  donativos para missões estarão exonerados da sua responsabilidade de evangelizar o mundo. Missionários  agências missionárias e juntas missionárias são expressões práticas da preocupação dos cristãos e igrejas locais,    mas eles não podem cumprir sozinhos a obrigação que Deus deu para todo cristão e para toda igreja. Nem todos podem ser um missionário, mas todos podem estar em missão para Deus.

b-     Motivos  ou metas erradas da missão

a-      Motivos Impuros
·         Imperialismo:  Tornar os nativos sujeitos de autoridades coloniais
·         Cultural: Missão como transferência da cultura superior do missionário.
·         Romântico: Desejo de ir a países exóticos
·    Colonialismo: Anseio de exportar nossa confissão de fé e ordem eclesiástica a outros territórios.
 
b-      Outros motivos (mais adequados teologicamente, mas incorretos também).
·      Motivo da conversão: Enfatiza o valor da decisão  e do compromisso pessoais – porém tende a estreitar o reino de Deus de modo espiritualista e individualista  ao total de almas salvas.
·    Motivo escatológico: fixa o olhar das pessoas para o reino de Deus como uma realidade futura, mas, em sua ânsia de apressar a sua vinda, não tem interesse nas exigências dessa vida.
·         Motivo do plantio de igrejas: acentua a necessidade de reunir uma comunidade das pessoas comprometidas, porém tende a associar a igreja com o reino de Deus.
·         Motivo filantrópico: a igreja é desafiada a buscar justiça social neste mundo, mas equipara o reino de Deus a uma sociedade melhorada. A filantropia deve ser uma atitude da igreja, não uma metodologia.

c-      Estratégias equivocadas[1]
Segundo o missiólogo Carlos DelPino a realidade do movimento evangelístico e missionário da igreja brasileira exemplifica os disparates nas estratégias missionárias do povo de Deus. As informações abaixo ilustram os equívocos de estratégias.
a-      Distribuição da força missionária
ü  91% dos missionários são enviados para o mundo cristão
ü  8% dos missionários são enviados para o mundo não cristão, porém evangelizado
ü  1% dos missionários são enviados para o mundo não evangelizado

b-      Distribuição financeira
ü  95% dos recursos são usados nas atividades domésticas
ü  4,5% dos recursos são usados em campos missionários do mundo evangelizado
ü  0,5% dos recursos são usados para alcançar os não alcançados
ü  (a média de contribuição da igreja brasileira para a obra missionária é de 0,50 centavos)

Um fundamento inadequado produz uma prática missionária inadequada. Alguns fundamentos precisam ser levantados para a prática de uma missiologia bíblica. De acordo com (BOSCH, 2002),
1-    Toda a existência cristã deve ser caracterizada como existência missionária. A igreja começa a ser missionária não através de sua proclamação universal do evangelho, mas através da universalidade do evangelho que ela proclama.
2-     A natureza missionária da igreja não depende simplesmente da situação na qual ela se encontra em dado momento, mas está baseada no próprio evangelho. A justificação e fundamentação das missões no exterior, bem como das missões no próprio país, “residem na universalidade da salvação e na indivisibilidade do reinado de Cristo”. A diferença entre missões no exterior e no próprio país não é uma diferença de princípio, mas de alcance.
3-   Temos de distinguir entre missão (no singular) e missões (no plural). O primeiro conceito designa a missio Dei (missão de Deus), isto é, a auto-revelação de Deus como Aquele que ama o mundo, o envolvimento de Deus no e com o mundo, a natureza e atividade de Deus. A missio Dei enuncia a boa nova de que Deus é um Deus para  as/pelas pessoas. Missões são os empreendimentos missionários da igreja. Designam formas particulares, relacionadas com tempos, lugares ou necessidades especifica, de participação na Missio Dei.
4-    A Igreja-em-Missão pode ser descrita em termos de sacramento e sinal. Ela é sinal no sentido de indicação, símbolo, exemplo e modelo; é sacramento no sentido de mediação representação ou antecipação. Não é idêntica ao reino de Deus, mas também não deixa, mas também não deixa de estar relacionada a ele; é um antegosto de sua vinda. Vivendo a tensão criativa de, ao mesmo tempo, ser chamada para  fora do mundo e ser enviada ao mundo, ela é desafiada a ser o jardim experimental de Deus na terra, um fragmento do reino de Deus, tendo as primícias do Espírito.

Diante dos conceitos expostos acima a visão sobre missão da igreja é ampliada e passamos a compreender a igreja em termo de funções bem específicas. Para  (BOSCH, 2002) são pelo menos três as maneiras de reconhecer o papel  da igreja;
·       A igreja como essencialmente missionária; esta é a declaração que encontramos  em 1 Pedro 2.9. a igreja não é a remetente, mas a remetida. A igreja existe ao ser enviada e edificar-se visando à sua missão. A missão não  constituiu uma atividade periférica de uma igreja  estabelecida, uma causa piedosa que pode ou não ser atendida. Trata-se de um dever que é de toda a igreja. Visto que Deus é um Deus missionário, o povo de Deus é missionário. A atividade missionária não é tanto uma ação da igreja, mas uma igreja em ação.
·     Igreja como povo peregrino de Deus. A igreja é chamada para fora do mundo e enviada de volta ao mundo. Ela não tem residência fixa aqui, está em uma residência temporária. Está permanentemente a caminho, dirigindo-se aos confins da terra.
·     A igreja como sacramento e sinal. Na visão de Paulo a sua própria missão é serviço sacerdotal do evangelho e desafiou a comunidade cristã a se oferecer como sacrifício vivo a Deus.



[1] Material não publicado. Informações apresentadas nas aulas de Teologia da Missão, no Seminário Presbiteriano Brasil Central

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