terça-feira, 6 de julho de 2010

Exposição de Isaias 58 (1ª Parte)

O jejum que agrada a Deus

ESTRUTURA DO TEXTO

O verso 1 identifica o palco para o leitor, nos informa que este capítulo será uma acusação contra Israel por causa de seus pecados.

Fora do contexto os versos 2 a 5 podem ser visto como uma descrição de uma vida religiosa devotada de forma sincera através do jejum – na verdade o texto revela porque o jejum se torna tão ofensivo a Deus.

Os versos 6 a 12 por outro lado descrevem o tipo de jejum que agrada a Deus.

Os versos 13 a 14 abordam a questão da observância do sábado.

Podemos esboçar o argumento do texto de Isaias 58 da seguinte forma:

v. 1 – Deus acusa a Israel por seus pecados

v.2-5 – O jejum que ofende a Deus

v.6-12 – O jejum que agrada a Deus

v.13-14 – O sábado e o jejum

I- Israel é confrontado por causa de seus pecados v.1

O verso 1 é importante porque define o tema e o tom do capítulo inteiro. O verso informa que este capítulo é uma acusação contra os pecados de Israel. A hipocrisia dos rituais religiosos está prestes a ser revelada. O pecado de Israel com relação ao jejum e a guarda do sábado são a causa de suas orações permanecerem sem respostas. Este capítulo é um convite ao arrependimento e não uma exortação ao esforço pessoal. Esta é uma informação importante para a compreensão dos versos seguintes (2-5).

a- O jejum que ofende a Deus

Compreender corretamente o verso 2 é crucial para a interpretação e aplicação do texto. Vejamos algumas traduções deste verso:

Pois dia a dia me procuram,

Parecem ansiosos para conhecerem os meus caminhos

Como se fossem uma nação que faz o que é direito e que não abandonou os meus mandamentos. NVI

Eles agem de modo piedoso

Eles vêem ao templo todos os dias e parecem felizes ao ouvirem a minha lei.

Você poderia pensar que esta era uma nação reta que nunca abandonou o seu Deus.

Eles adoram fazer um show para mim e me pedem para agir a favor deles. NLT

Vejamos porque Israel foi reprovado por Deus em relação ao jejum que apresentava a Deus.

1- Usavam o jejum para dar impressão de santidade. v.2

O primeiro pecado que Deus expõe no que diz respeito ao jejum de Israel é a hipocrisia. Eles querem parecer piedosos, mas não eram. Israel estava representando, suas celebrações religiosas eram falsas. Eles davam a impressão de que seus corações eram retos diante de Deus, que procuravam sinceramente conhecer a vontade de Deus para caminhar por ela. (Mt 6.1-8; Jr 42.1 -43.7 – os oficiais do exército que permaneceu em Judá, queriam conhecer a vontade de Deus através de Jeremias, garantindo que a obedeceriam, mas quando ouviram a Palavra do Senhor, rejeitaram e fugiram para o Egito, forçando o profeta a ir com eles).

2- Usavam o jejum para manipular a deus. v.3a

O segundo pecado que Deus expõe no que diz respeito ao jejum de Israel é que ele era manipulador. O jejum dos israelitas era acompanhado de orações pela nação e por bênçãos, mas estas orações não eram respondidas. Eles protestavam, porque eles acreditavam que Deus era obrigado a responder a oração feita com jejum.

O jejum de Israel era manipulador além de ser hipócrita. Eles criam que a oração feita com jejum tinha que ser respondida. O jejum era então, uma forma de obrigar Deus a fazer o que eles queriam. Quando Deus não deu o que eles queriam, eles se sentiram enganados e questionam porque Deus estava ignorando seus pedidos. Deus irá responder esse questionamento mais adiante afirmando que esse jejum não somente era falso, mas também inútil.

3- Usavam o jejum para alcançar seus objetivos pessoais. v.3b-4ª

O terceiro pecado que Deus expõe no que diz respeito ao pecado de Israel, no que diz respeito ao jejum é que ele é interesseiro, intensamente egoísta.

Nós cremos que quando se faz jejum existe abstinência de alimentos, mas parece que esse não era o caso de Israel. Uma opção de compreendermos o que Isaias está dizendo é que enquanto eles jejuavam estavam satisfazendo seus interesses. O que parece é que eles estão fazendo sacrifício, ficando sem comer, mas na verdade eles estão satisfazendo seus interesses pessoais. A aparência não correspondia à realidade. Tem se a impressão que os sinais externos do jejum eram usados como emblema de santidade, espiritualidade e sinceridade, enquanto que secretamente ingeriam alimentos.

Por outro lado, a hipocrisia parecia ser ainda mais sutil. O profeta acusa Israel de satisfazer seus desejos egoístas enquanto jejuavam. Eles satisfaziam a si mesmos enquanto jejuavam. Pode ser que enquanto jejuavam eles ficavam sem comer, se deliciavam com algum outro prazer. Alguém poderia, por exemplo, satisfazer o desejo de autopromoção, elogios pelo fato de abster-se de alimentos. E ao fazer jejum ele obtém aprovação e aplausos dos outros, algo que ele deseja mais que a comida. Ele elimina um apetite da carne para satisfazer outro.

Ao mesmo tempo em que eles jejuavam para satisfazer seus desejos pessoais, os trabalhadores eram oprimidos para gerarem a riqueza que eles esperavam como benção de Deus. Eu creio que Isaias está dizendo que aqueles que jejuam buscavam ganho a custa do trabalhador. Eles buscavam, a benção de Deus pela oração e o jejum, enquanto oprimiam os seus funcionários. Como podiam pedir a Deus para abençoá-los enquanto eles oprimiam aqueles que mais precisavam deles? Esse jejum era prejudicial para o próximo.

4- Usavam o jejum como um mero ato de religiosidade v.4b – 5

Nos versos 4b – 5, encontramos a última acusação de Deus contra jejum de Israel. Ele era ritualista. Sem nenhuma conexão com o sentido real do jejum.

O jejum é um ato simbólico, e, portanto, um ato ritualístico pode ser vazio se o coração não reflete o sentido rito. O jejum é símbolo de humildade e dependência de Deus, mas o jejum que os israelitas praticavam não tinha conexão com a realidade. (Mt 6.16-18; 23.27)

Um comentário:

eu disse...

O mais interessante e que o povo de Deus não muda, ja se passou muito tempo e as atitudes daqueles que se dizem povo de Deus continua sendo a mesma, fico imaginando o que seria de nos se não fosse a misericórdia de DEUS.
Hoje a igreja brasileira vive este capitulo, e uma igreja egoísta, hipócrita, capitalista, que defende apenas seus próprios interesses, salva algumas exceções.

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