sábado, 16 de julho de 2011

OS PROFETAS FALAM HOJE

A Natureza da profecia no Antigo Testamento

Nos dias atuais enfrentamos uma dificuldade em compreender o papel e a natureza da profecia e do profeta. Muito devido à má interpretação que alguns fazem das palavras de Paulo no Novo Testamento sobre o dom de profecia. Em geral se pensa na profecia e no profeta apenas em termo de predição.

Os profetas no Antigo Testamento são descritos de várias maneiras em razão do seu ministério e chamado. Segundo o dicionário Unger;

De acordo com 1 Samuel 9.9, o profeta era conhecido inicialmente em Israel como “ro’eh” , um vidente; outra designação dada ao profeta de uma etimologia similar era “hozer” (2 Samuel 24.11) – aquele que vê o sobrenatural; mais tarde o profeta em Israel era mais comumente reconhecido como “nabhi” – aquele que é chamado por Deus para anunciar. É este termo que constrói a idéia de que o profeta é um recipiente passivo de uma mensagem manifesta em seu contexto e linguagem. Sendo assim o profeta é aquele que anuncia a mensagem que lhe foi dada por Deus.

A palavra hebraica ayb]n* (nabhi) traz em si a idéia de “porta-voz autorizado” e é usada em três passagens do Antigo testamento: (1) Êxodo 6.28-7.2, quando Moisés se esquivou de falar ao faraó, Deus designou Arão para ser o profeta de Moises, i.e seu porta voz autorizado, uma pessoa falando em lugar da outra; (2) Números 12.1-8, quando Miriam e Arão, talvez por ciúmes ou por preconceito com a esposa de Moises, murmuram porque queriam substituir Moises com mediador da revelação de Deus (v.2). Deus intervém para demonstrar que Ele só falaria diretamente com Moisés. A implicação deste fato para o significado do termo profeta é que o verdadeiro profeta é aquele que fala de Deus para o homem; (3) Deuteronômio 18.9-22, antes da morte de Moises, temos uma declaração formal do ofício de “nabhi”. Estes versos deixam claro que o profeta é aquele que Deus tem se revelado a ele.

Segundo (ARCHER, 1986) uma profecia é uma revelação oral ou escrita, em palavras humanas e através de um porta-voz humano, transmitindo a revelação de Deus e esclarecendo aos homens sua divina vontade.

O Ofício do profeta no Antigo Testamento

A ação do profeta no Antigo Testamento não era apenas preditiva, como observamos nos dias de hoje. O profeta é acima de tudo uma pessoa que foi chamada por Deus, um vocacionado. Para (ARCHER, 1986):

Segundo esta interpretação, o profeta não deveria ser considerado o profissional que se nomeou a si mesmo, cujo o propósito seria persuadir as pessoas a aceitar opiniões da sua própria lavra; pelo contrário, seria a pessoa chamada por Deus para proclamar, como arauto da corte dos Céus a mensagem a ser transmitida de Deus para os homens.

Nas épocas mais remotas da vida de Israel, o oficio da profecia era dos levitas que tinham a responsabilidade de ensinar os preceitos e implicações da lei de Deus ao povo. Situação essa que aparece nos conceitos do Novo Testamento. Os profetas, conforme (BROWN, 1989) na adoração em Corinto tinham no culto a tarefa de exortar (1 Co 14.3, 24-25, 31), de consolar (1 Co 14.3) e de edificar a igreja (1 Co 14.3), bem como de comunicar o conhecimento e os mistérios (1 Co 13.2).

A função da profecia no Antigo Testamento

Como um agente ou porta voz de Deus, os profetas prioritariamente eram responsáveis por transmitir a mensagem de Deus para o povo de Deus em seu contexto histórico. Neste processo de proclamar a mensagem de Deus, em muitas ocasiões os profetas revelam o que ainda estava por vir, mas ao contrario do que a maioria das pessoas em geral imaginam, esta atividade preditiva era uma pequena parte do ministério profético.

O ministério profético envolvia discernir a vontade de Deus; tinha uma característica exortativa, chamando os homens à obediência. Por outro lado, o discernimento da vontade de Deus implica em revelar o plano de Deus; sendo assim a profecia era também nesse sentido, preditiva, encorajando o justo a examinar as promessas de Deus ou enfrentar o juízo de Deus.

Sendo assim, o profeta é a pessoa chamada por Deus, que recebeu a mensagem de Deus e a proclama por meio oral, ilustrativa ou escrita. Por essa razão os profetas são reconhecidos pela expressão: “assim diz o Senhor”.

Os profetas são reconhecidos por três funções básicas no Antigo Testamento;

Primeiro, eles eram reconhecidos como pregadores. Eles expunham e interpretavam a lei de Moisés. Eles tinham a responsabilidade de admoestar, reprovar, denunciar o pecado, chamar ao arrependimento e trazer consolação.

Segundo, eles eram reconhecidos como previdentes. Nesse sentido, cabia ao profeta encorajar Israel quanto às coisas futuras. Eles anunciavam a vinda do juízo de Deus, a libertação e eventos relacionados ao Messias. Predizer o futuro não era uma mera intenção de satisfazer a curiosidade humana, mas expressar que Deus tem o conhecimento e o controle do futuro do seu povo.

Terceiro, eles eram como vigias da nação de Israel. (Ez 3.17) Ezequiel se colocou como vigia de Sião anunciando contra a apostasia. Ele advertia a Israel contra as alianças políticas e militares com os estrangeiros, contra a tentação de se envolver com a idolatria e religião cananita e ainda, advertia sobre o perigo de introduzir excessiva confiança na religião formal e nos ritos sacrificais.

Os profetas exerciam um papel fundamental no sistema religioso de Israel, indicando para a nação as possíveis violações da lei de Moisés.

A relevância dos profetas nos dias de hoje – os profetas ainda falam hoje.

Os pregadores usam com muita insistência em suas pregações o Novo Testamento, em especial os escritos de Paulo. Em virtude disso pouco se explora a mensagem dos profetas. A mensagem dos profetas pode ser usada em pelo menos três áreas no desenvolvimento da vida cristã e ministerial nos dias de hoje.

Primeiro, podemos usar a mensagem dos profetas para encorajar o povo de Deus a confiar na graça de Deus. Assim como os profetas encorajavam Israel a confiar na ação poderosa da graça de Deus para libertar e salvar, hoje podemos fazer o mesmo.

Segundo, podemos usar a mensagem dos profetas para nos lembrar de que a fidelidade à aliança com Deus traz segurança e bem aventurança ao povo fiel.

Terceiro, a mensagem dos profetas deve ser usada para nos advertir quanto às coisas futuras, nossa esperança.

Um comentário:

rafael azevedo disse...

o interessante é que todos eles inspirados por DEUS falaram coisas a cerca do futuro entretando não de coisas temporais ou particulares individuais, mas eu observo que tinha uma palavra para a humanidade em si, era falado coisas em termos globais e mundias quase que não se ouve coisas locais e sim global.

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